domingo, 17 de fevereiro de 2008

PARTE III - Tipo arteiro de ser.

Sozinha naquele pátio cheio de crianças correndo e gritando, Endes sente um alívio que não a deixa ficar triste por estar sentada e sem falar com ninguém. Algumas crianças também estão sentadas, mas aos olhos de Endes, nenhuma faz o seu tipo arteiro e agitado.
Já quase no fim do recreio, um menino da sala dela chega e logo se apresenta:
- Oi meu nome é Lucas, por que você não está brincando?
- Eu não me dou muito bem com as pessoas da nossa sala, elas são muito chatas.
- Eu também acho. – concorda Lucas.
Endes fica quieta, mas morrendo de vontade de contar a sua armação para o Lucas, o que seria um motivo para uma nova amizade.
- Qual é o seu nome? – pergunta o menino querendo retornar ao papo.
- Endes. Eu não conheço ninguém aqui. E você, conhece?
- Também não, eu sou muito arteiro e agitado, minha mãe fala que sou elétrico, que sou ligado no 220. Olha o meu machucado. – Levanta a bermuda e mostra um baita ralado no joelho direito.
- Nossa, o que foi isso? – pergunta Endes com uma expressão de arrepio.
- Caí na rua brincando de esconde-esconde.
Esconde-esconde é a brincadeira preferida de Endes.
- Humm... E doeu muito?
- Não, já estou acostumado. – Essa resposta despertou a risada de ambos, que se sentiram ainda mais amigos agora.
O sinal alerta o fim do recreio. Endes nem se quer tocou no assunto das minhocas.
Aula vai, aula vem, a professora pede para os alunos pegarem os cadernos de desenho. Está armada a confusão.
- Ahhhhhhhh.... – grita Amanda, a menina loirinha que rejeitou Endes.
- O que foi meu anjo? – pergunta a professora.
- Tem um monte de minhocas na minha mochila.
- Na minha também - Gritam mais 3 meninas do grupinho das “chatonildas”.
Todos os outros alunos caíram em gargalhadas. Endes soltava um riso controlado. Ao ver todas as outras crianças gargalhando, inclusive Lucas, Endes sentia-se com um diploma de dever cumprido nas mãos, como se ela tivesse feito o que todos queriam.
- Muito bem. Quem foi que colocou minhocas nas mochilas das amiguinhas?
A sala toda ficou séria. Endes, acostumada com arte e mesmo sem seu fiel parceiro por perto, controlou o medo e não disse nada.
O grupo das chatas viu Endes e Lucas conversando durante o recreio. Dito e feito, foram aos dois, as primeiras acusações.
- Eu não fiz nada professora, juro. – defende Lucas já quase chorando.
- Eu também não professora. – Endes, com toda sua malevolência, defende-se mantendo o comportamento tímido.
- Ninguém vai falar quem foi? – pergunta novamente a professora – Está bem. Se a pessoa não se entregar até o fim da aula, ninguém sai daqui hoje.
Depois de retornar à aula, a professora muda o tom da conversa com todos, agora muito mais sério. Endes começa a ficar preocupada, pois ela estava sozinha, não tinha ninguém para fazer a sua cobertura. Como era de costume, Viqui sempre dava um jeito e livrava, tanto ele quanto Endes, das suas acusações.
O tempo passou, Endes ficou calada.
Faltando dez minutos para o fim da aula, Endes escreve um bilhete misterioso para Lucas, e o entrega de forma muito escondida.

Agora é com você.

Faça um final bem criativo e divertido para esta Parte.

Ele deve conter no máximo 40 linhas (Word como referência). Deve ser divertido, não fugir muito dos personagens existentes e nem do tempo da história.
Ele deve ser postado no tópico da Parte III, na comunidade no ORKUT.

Prazo: 22/02 até às 23 hrs.

Boa sorte.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

PARTE II - O Viqui chegou!

A manhã na escola não foi boa à altura da espectativa de Endes. Havia alguns grupinhos já formados e alguns alunos não tinham nenhum conhecido, como é o caso dela. Os grupinhos conversavam, davam risadas, fofocavam enquanto aqueles mais afastados apenas observavam tudo e a todos com um olhar desajeitado. A professora então nem se fala. Fez perguntas a manhã inteira, queria saber um pouco de todo mundo e um mundo de poucos, incluindo Endes neste último. Sem jeito para responder a tantas perguntas, Endes só falava “sim” e “não”, de vez em quando soltava “é”.
Na volta para casa, Endes, com a sua mochila nas costas e andando de cabeça meio baixa, caminhava pensativa e angustiada por não ter feito nenhuma amizade. Ela até chegou a pensar em convidar Viqui para estudar na mesma escola, mas ele é um ano mais novo. Acima de tudo, Endes tinha esperanças que o segundo dia tudo melhoraria.
Ao chegar em casa, ela é abordada pela empregada.
Dona Judite é uma verdadeira mãe para Endes. Uma simpática negra de 60 anos de idade que já completa 13 anos de serviço na casa da família Campos:
- Endes, sua mãe pediu para você ligar para ela assim que você chegar.
- Tá bom, Dite, obrigada. – disse ela meio tristonha.
- Ah.. Já ia me esquecendo. O Viqui veio atrás de você. Eu disse a ele que você estava na escola.
- O Viqui? Ele já chegou da praia? – um sorriso aparece em seu rosto como se ela não tivesse vivido aquela manhã.
- Obrigada, Dite. – agradece ela já correndo para o telefone.
Endes fica em um estado eufórico e corre ligar para a casa de Viqui (ou melhor, para a casa ao lado), com a mochila nas costas e tudo. Os dois ficam cerca de dez minutos no telefone, até que Viqui se toca e chama ela para ir sentar na calçada. Ela joga a mochila em cima da cama, fazendo-a pular justo para cima do criado-mudo com o abajour da bailarina, que cai e quebra um dos pés. Endes nem se incomoda, corre para a calçada sem almoçar e nem mesmo se quer ligar para a sua mãe.
Depois de um abraço contido (crianças, hehehe) eles sentam para conversar. Logo se vê que ficarão ali por horas. A euforia dos dois é tamanha, que eles nem sabem por onde começar as novidades e histórias dos 15 dias que passaram separados.

Final de Flávio Nascimento.
Viqui logo perguta sobre o tão esperado primeiro dia de aula. Endes não havia gostado, não falou com ninguém. Quer dizer, só com a Renata, mas essa não a queria por perto.
- Ah, que chato isso, Endes. Liga não. Você consegue amigos melhores. Deve ser uma riquinha chata.
- É, uma "chatonilda". (Os dois começam a gargalhar). Mas me conta. Como foi na praia?
Na praia, Vinícius havia conhecido uns amigos de seu pai. Saíram pra pescar. Ele havia realmente se divertido. Foi uma viagem perfeita. Além de tudo, o menino adorava o mar e só o fato de estar na praia já lhe deixava contente.
Os amigos conversam por um longo tempo até que Viqui se levanta rapidamente e diz algo no ouvido da sua amiga. Ela parece aprovar a idéia, mas já precisa voltar pra casa, afinal, ainda não havia almoçado.
No outro dia, Endes acorda cedo, pega uma caixinha e coloca na sua bolsa. Desce para tomar café e depois se despede de Judite. Sua mãe a interrompe:
- Mocinha, você ligou pra mim ontem? A Judite te avisou que eu sei.
- Ai, mãe. Eu esqueci. É porque Viqui voltou da praia e...
- Você deveria ter ligado. Fui jantar fora com seu pai, se você me ligasse teria ido também.
- Vocês foram no...
- Mestre das Massas. Isso mesmo. – completa Wendy.
- Droga! Perdi. – já com água na boca e com um tom de arrependimento.
Seguiram para a escola sem que a menina desse uma palavra, estava triste.
Chegando lá, Wendy leva a filha a sua sala e se despede com um abraço bem apertado. Endes entra na sala e olha para o canto. O grupinho estava lá, e ela tinha um plano.
Endes e Viqui são especialistas em planos mirabolantes, não é de se estranhar que Endes tenha pensado em mais um deles.
Na hora do intervalo Endes deixou que todos saíssem e pegou a caixinha cheia de minhocas na sua bolsa e colocou dentro dos cadernos das "chatonildas". Depois de uma risada, ela devolveu guarda a arma do crime em sua bolsa, e sai alegre para o recreio.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

PARTE I - Enfim, a escola.

Segunda-feira, primeiro dia de aula na escola Pôr-do-Sol.

Depois de uma noite agitada devido à ansiedade, Endes acorda com a sua mãe passando a mão em seu braço:
- Filhota. Acorda, já está na hora.
- Ai, ainda bem. Não aguentava mais ficar na cama. – responde Endes com uma voz de sonolenta.
Morta de sono, ela levanta da cama alegre e corre para ir escovar os dentes. Olhando para o espelho, ela fica imginando como será o primeiro dia na escola nova, quem serão os seus novos amigos, o professor, se as provas serão difíceis, afinal ela já está na primeira série.
Pensativa, ela dá uma apagada com a escova na boca, mas logo desperta e termina a escovação. Então ela volta para o quarto pega o seu material novinho, e dá um sorriso como quem quer dizer “Finalmente chegou o dia”. Ela coloca o material em cima da cama, troca de roupa, coloca o uniforme novo e vai tomar café.
Sentados à mesa, os pais de Endes ficam conversando enquanto ela fica em silêncio, com o pensamento lá na escola que ela ainda nem conhece.
- Ansiosa filha? - pergunta o pai.
- Só um pouquinho, papai.
- Não se preocupe filha, você irá amar a nova escola. Tomara que tenha alguém que você conhece, né? – confortou a mãe.
- É, tomara. – responde Endes.
Todos levantam da mesa e Endes sai correndo para pegar o seu material. Sem perceber que a porta do seu quarto estava encostada, ela tromba com tudo, mas nem se incomoda e corre para o carro.
Chegando à escola sua mãe desce junto com ela para levá-la até a sua classe (como Endes costuma dizer). Ao entrar na escola, cada professora recepciona os alunos novos. A professora da primeira série era a primeira. Perguntando o nome de todos os alunos que chegavam, ela vai logo perguntando o nome de Endes.
- Oi, coisa linda. Como é o seu nome? – pergunta Lilian, a professora.
Endes fica envergonhada, e olha para baixo.
- Endes, professor. Ela é um pouco tímida. – responde a mãe.
- Ah, mas o pimeiro dia é assim mesmo, logo ela se enturma. – diz a professora.
A professora ensina o caminho para chegar à sala. Endes caminha de mãos dadas com a mãe, olhando para todos os aluninhos tentando encontrar alguém conhecido. Ela não acha ninguém, e chega à sua sala.

Final de Naya Fouquet

A sala está uma bagunça. Várias crianças gritando, pulando e brincando. Endes se assusta com uma bolinha de papel que passa rente ao seu braço. Está no infemo, e ela que achava que aprontava o suficiente com Viqui, mas descobriu que podem existir crianças piores do que eles, e acha tudo isso o máximo.
Prontamente vai em direção a um grupo misto que está no canto da sala provavelmente tramando alguma coisa e já se apresenta:
- Oi, meu nome é Endes, o que vocês estão fazendo?
- Não te interessa - responde rapidamente uma das meninas. Loirinha, olhos claros, a roupa tão limpa que brilhava. Deve ser de uma das familias de classe alta da cidade.
Todos começam a rir e mandam Endes ir embora o mais rápido possível. Endes nunca havia sentido isso, tão nova e estava sendo rejeitada por um grupinho que de longe parecia tão legal. Abaixou a cabeça e começou a andar lentamente. Sua mãe já não estava mais na porta, e a ansiedade era tão grande que nem ao menos lembrou de se despedir de sua mãe.
A melhor decisão que poderia tomar era procurar uma carteira e sentar. Mas que carteira? A sala estava lotada e só restara uma do lado do grupo que não a queria por perto. Não sabia mais o que fazer, suas esperanças de um ano bom foram por água abaixo.