sábado, 2 de fevereiro de 2008

PARTE I - Enfim, a escola.

Segunda-feira, primeiro dia de aula na escola Pôr-do-Sol.

Depois de uma noite agitada devido à ansiedade, Endes acorda com a sua mãe passando a mão em seu braço:
- Filhota. Acorda, já está na hora.
- Ai, ainda bem. Não aguentava mais ficar na cama. – responde Endes com uma voz de sonolenta.
Morta de sono, ela levanta da cama alegre e corre para ir escovar os dentes. Olhando para o espelho, ela fica imginando como será o primeiro dia na escola nova, quem serão os seus novos amigos, o professor, se as provas serão difíceis, afinal ela já está na primeira série.
Pensativa, ela dá uma apagada com a escova na boca, mas logo desperta e termina a escovação. Então ela volta para o quarto pega o seu material novinho, e dá um sorriso como quem quer dizer “Finalmente chegou o dia”. Ela coloca o material em cima da cama, troca de roupa, coloca o uniforme novo e vai tomar café.
Sentados à mesa, os pais de Endes ficam conversando enquanto ela fica em silêncio, com o pensamento lá na escola que ela ainda nem conhece.
- Ansiosa filha? - pergunta o pai.
- Só um pouquinho, papai.
- Não se preocupe filha, você irá amar a nova escola. Tomara que tenha alguém que você conhece, né? – confortou a mãe.
- É, tomara. – responde Endes.
Todos levantam da mesa e Endes sai correndo para pegar o seu material. Sem perceber que a porta do seu quarto estava encostada, ela tromba com tudo, mas nem se incomoda e corre para o carro.
Chegando à escola sua mãe desce junto com ela para levá-la até a sua classe (como Endes costuma dizer). Ao entrar na escola, cada professora recepciona os alunos novos. A professora da primeira série era a primeira. Perguntando o nome de todos os alunos que chegavam, ela vai logo perguntando o nome de Endes.
- Oi, coisa linda. Como é o seu nome? – pergunta Lilian, a professora.
Endes fica envergonhada, e olha para baixo.
- Endes, professor. Ela é um pouco tímida. – responde a mãe.
- Ah, mas o pimeiro dia é assim mesmo, logo ela se enturma. – diz a professora.
A professora ensina o caminho para chegar à sala. Endes caminha de mãos dadas com a mãe, olhando para todos os aluninhos tentando encontrar alguém conhecido. Ela não acha ninguém, e chega à sua sala.

Final de Naya Fouquet

A sala está uma bagunça. Várias crianças gritando, pulando e brincando. Endes se assusta com uma bolinha de papel que passa rente ao seu braço. Está no infemo, e ela que achava que aprontava o suficiente com Viqui, mas descobriu que podem existir crianças piores do que eles, e acha tudo isso o máximo.
Prontamente vai em direção a um grupo misto que está no canto da sala provavelmente tramando alguma coisa e já se apresenta:
- Oi, meu nome é Endes, o que vocês estão fazendo?
- Não te interessa - responde rapidamente uma das meninas. Loirinha, olhos claros, a roupa tão limpa que brilhava. Deve ser de uma das familias de classe alta da cidade.
Todos começam a rir e mandam Endes ir embora o mais rápido possível. Endes nunca havia sentido isso, tão nova e estava sendo rejeitada por um grupinho que de longe parecia tão legal. Abaixou a cabeça e começou a andar lentamente. Sua mãe já não estava mais na porta, e a ansiedade era tão grande que nem ao menos lembrou de se despedir de sua mãe.
A melhor decisão que poderia tomar era procurar uma carteira e sentar. Mas que carteira? A sala estava lotada e só restara uma do lado do grupo que não a queria por perto. Não sabia mais o que fazer, suas esperanças de um ano bom foram por água abaixo.

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